Todos os dias Paulo faz o mesmo trajecto até seu escritório, estaciona o carro a duas quadras e vai caminhando até o prédio onde passa o resto do dia. Em sua curta caminhada até o escritório, se depara com meninos de rua, encolhidos no chão, vezes molhados de chuva, outras tremendo de frio ou gemendo de fome, mas Paulo nunca dá atenção nem os nota, simplesmente desvia, e ainda amaldiçoa aquelas crianças por atrapalharem a passagem.
“Com tanto lugar para dormir esses desgraçados vem dormir logo aqui”
Há três anos Paulo perdeu um filho de 15 anos, viciado em drogas, saiu de casa para nunca mais voltar, chamaram a polícia, distribuíram cartazes, fizeram campanhas e nada. Desde então Paulo carrega a culpa da perda, da ausência, talvez nunca mais encontre o filho, talvez ele esteja morto. Talvez...
...talvez, se Paulo prestasse atenção em uma dessas crianças que o atrapalham no percurso para o trabalho, ele descobriria que seu filho está mais perto do que imagina.


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