Contam que numa carpintaria houve uma estranha assembleia. Foi uma reunião de ferramentas. O martelo assumiu a presidência, mas a assembleia notificou-o que teria de renunciar. A razão? Fazia demasiado ruído. E, além disso, passava o tempo a dar golpes.O martelo aceitou a sua culpa, mas pediu que o torno também fosse expulso: alegou que era necessário dar-lhe muitas voltas até que fosse útil.
Diante desse ataque, o torno também aceitou e, por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Disse que era muito áspera e que causava fricções com os demais.
A lixa concordou e a sua condição era que o metro fosse expulso já que estava sempre a medir os outros de acordo com a sua medida, como se fora a única perfeita.
Neste momento entrou o carpinteiro e começou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o torno. Finalmente, o tosco pedaço de madeira converteu-se num bonito móvel.
Quando o carpinteiro saiu novamente da carpintaria, a assembleia reuniu-se e retomou a deliberação. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:
"Senhores, ficou demonstrado que todos temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com as nossas qualidades. Isso é o que nos torna valiosos. Assim, não pensemos mais nos nossos pontos fracos e concentremo-nos na utilidade dos nossos pontos fortes."
A assembleia percebeu, então, que o martelo era forte, o torno unia e dava força, a lixa era boa para afinar e limar coisas ásperas e o metro era exacto.
Sentiram-se, nessa altura, uma equipa capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram-se orgulhosos das suas forças e da qualidade do seu trabalho juntos.
Tradução e adaptação por Ana Neves
Novembro, 2001
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