Neste mundo desabrido, dizes-nos que não sejamos sal sem sabor,
que só serve para ser pisado, como panfletos publicitários distribuídos pelas ruas,
que nem se olham um segundo e nos caem das mãos porque não interessa a ninguém,
lixo para os passeios debaixo dos pés
daqueles que continuam a sua vida quotidiana.
Sal sem excesso:
sem ser os protagonistas que sequestram os olhares,
sem imposições que abrumam com suficiência, 
sem perseguir os outros com poder e astúcia.
Sal sem defeito:
que não se esconda por medo a perder-se,
nem se deixe enfraquecer pela tibieza,
nem renuncie, por orgulho, a misturar-se entre aqueles que trazem dissabores.
Convidas-nos a ser sal da Páscoa
que desaparece na comida humana,
que ninguém se apercebe da sua justa presença,
e que só os que estão despertos
o descobrem ressuscitado
no sabor exacto de cada existência.

Arnaldo

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